22/05/13

HEMORRAGIAS: QUE FAZER?




No caso de ferida com hemorragia peça à vítima que faça pressão sobre a ferida e eleve o membro. Coloque a vítima em posição confortável. Se necessário faça o alerta ou peça a alguém para o fazer. Evite entrar em contacto direto com o sangue. Se possível use luvas. Coloque compressas sobre a ferida e faça pressão. Aplique uma ligadura compressiva. Dirija-se ao hospital ou unidade de saúde.

Fonte: Cruz Vermelha Portuguesa

20/05/13

O QUE É A SAÚDE?


A bem conhecida definição de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1948 como sendo o “estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, e não só a ausência de doença ou enfermidade” é, na minha opinião, irrealista e mesmo ingénua, pois não é de esperar que cada pessoa esteja a maior parte do tempo neste estado. Um antigo professor da Faculdade de Medicina de Lisboa costumava dizer que esta situação era apenas atingível em estado de coma. Georges Canguilhem, no seu livro O normal e o patológico, considera que “a saúde perfeita não existe, a não ser como um conceito normativo de um tipo ideal”. Esta definição da OMS tem no entanto a virtude de reconhecer as várias dimensões do ser humano, que é uma entidade biopsicossocial e não apenas um corpo físico.

Há várias outras definições de saúde, mas pessoalmente aprecio a definição de saúde de Galeno, famoso médico grego do séc. II da era cristã, que considera a saúde como uma espécie de meio termo entre a doença incapacitante e uma saúde perfeita de difícil alcance. É o “estado em que nos sentimos capazes de fazer as coisas que desejamos fazer com o mínimo de dor e desconforto”. Nesse sentido, uma pessoa pode considerar-se saudável apesar de alguns condicionalismos de natureza física ou mental, desde que não a impeçam de realizar os seus projetos de vida.

16/05/13

HISTÓRIA DA MEDICINA PORTUGUESA

 

Recomendo a leitura desta obra, da autoria do Prof. Germano de Sousa, antigo bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal. O autor explicar na Introdução o propósito desta edição:

“Com este livro procurei fazer uma reflexão sobre o que foi a história da atividade médica e assistencial em Portugal e nas terras descobertas durante um período tão intenso e extraordinário da sua história e da história do mundo, época única na qual o nosso país foi um dos principais atores. Por um lado, saber como era ser médico nessa altura, quais eram a sua formação, os seus conhecimentos e a sua prática. Depois, lembrar como foram e como funcionaram os dois principais hospitais reais de então, o Hospital Real de Todos os Santos e o Hospital Real de Goa, e pôr em relevo a visão de governantes como D. João II, D. Manuel I e D. João III e dos seus conselheiros, que precocemente perceberam a necessidade de criar mecanismos de assistência sanitária que acompanhassem o esforço dos Descobrimentos. Por outro lado, dar um panorama do que foi a «medicina e a doença embarcada» e do sofrimento que isso significou para milhares de portugueses que tiveram a coragem de demandar as Índias, o Japão ou os Brasis. Por fim, descobrir e investigar de que forma participaram os médicos e os boticários na Expansão, e relatar as novas doenças existentes ou vindas das novas terras descobertas e em especial o impacte social de uma delas, a sífilis, a mais terrível de todas”.
 
Pode também ler um comentário a este livro no programa “O Livro do Dia” da TSF aqui.

13/05/13

PREVENÇÃO DO CANCRO DA PELE


No próximo dia 15 de Maio decorrerá, em Portugal, o Dia do Cancro da Pele/Dia do Euromelanoma. Neste dia irão decorrer rastreios de cancro da pele, gratuitos, em vários Serviços de Dermatologia. Este rastreio está particularmente dirigido para as pessoas de risco ou mais vulneráveis a cancro da pele, que incluem pessoas:

nas quais surgiu um "sinal de novo", diferente dos outros, ou modificação recente de um sinal preexistente ou ferida ou sinal que não cicatriza, sobretudo em área de pele com antecedentes de exposição intensa ou prolongada ao sol;
de pele clara ou propensa a queimaduras solares;
que sofreram queimaduras solares durante a infância;
que estão ou costumavam passar demasiado tempo expostas ao sol (em trabalho ou lazer);
expostas a sol intenso e durante períodos curtos de tempo (p.ex. durante as férias);
que frequentaram ou frequentam solários;
com mais de 50 sinais (nevos) na pele;
com antecedentes familiares de cancro da pele;
com mais de 50 anos;
submetidas a um transplante de órgãos.

Fonte: Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo

09/05/13

O QUE É A ESCLEROSE MÚLTIPLA?

A esclerose múltipla é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afeta o Sistema Nervoso Central. É uma doença que surge habitualmente entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo mais frequente no sexo feminino.
 
Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2 500 000 pessoas com esta doença. Poderá obter mais informações sobre a esclerose múltipla aqui.
 

08/05/13

THE CANCER EXPERIENCE

O texto seguinte é o prefácio que o Prof. Edmund Pellegrino escreveu para o livro The Cancer Experience: The Doctor, the Patient, the Journey, da autoria do Dr. Roy B. Sessions, publicado recentemente:

No medical diagnosis is more fearsome than the diagnosis of cancer. The very mention of the word is enough to trigger a confluence of physical, emotional, spiritual, and financial crises. The resulting maelstrom of life-changing events engulfs patients, their families, and their doctors. If the cancer involves the head and neck, fear of physical disfigurement augments the patient’s dread of alienation from the world of purposeful existence.

In this book, Dr. Roy Sessions reflects on his life as a dedicated head and neck surgeon living daily within the disrupting milieu of his patients’ cancer. He describes how cancer confronted and challenged his own technical and personal resources as a professed healer. Sometimes he cured, sometimes ameliorated or palliated. All too often, he traveled with his patient along the path of human finitude of the patient’s death.

Repeatedly, Sessions recognizes the need to join surgical and medical competence with the capacity to enter into the patient’s real-world predicament, and for this a strong bond on trust is essential. He laments the weakening of trust between physicians and patients in a contemporary world. Without trust it is difficult for a physician to be healer, helper, and friend. Without trust it is difficult to sustain patient and doctor in their journey through the cancer experience.

Sessions lays a good part of the responsibility to build the requisite trust on the physician. To be authentic this trust must proceed from the physician’s personal dedication to the primacy of the patient’s welfare. To be authentic this trust must rest on a moral commitment. Dr. Sessions outlines his own moral commitment in terms of the traditional Hippocratic ethic. Thus he expresses unapologetic opposition to inducing the death of patients. For him the legalization of assisted suicide is the “dark side” of end of life care in patients with cancer. There is fine line between a physician helping a patient die and actually inducing death. He fears that the growing economic strictures on the care of dying patients will hasten the push to death in cancer victims.

This is a book replete with clinical wisdom earned through the author’s dedication to the care of some of medicine’s most desperately ill patients. It will be of interest and instructional value to medical students, aspiring and practicing oncologists –medical, surgical, radiation–as well as physicians generally. But Sessions intends his book for the general public as well. Importantly, he makes the case that a better understanding of doctors by patients and their families is beneficial for all concerned. The cases Sessions describe will resonate with our own experiences or those of our families and friends. His thoughts extend well beyond the cancer experience to include other serious life-threatening trauma and illness.

Some may disagree with the author’s firm adhesion to the traditional norms of professional ethics. Few however can deny the moral nature of medical practice for anyone who “professes” to be a healer. Medical students, those “physicians in utero,” should ponder the author’s unrelenting moral commitment to the patient’s welfare. As we approach the revolutionary changes now occurring in the way we care for patients, we need to be reminded that all our efforts must finally be channeled toward the help and relief of a human in distress. Anyone who “professes” to possess the requisite knowledge to heal must use it to the advantage of the one who seeks and needs it.

The “final common pathway” of the doctor’s effort is the good of the patient. This is its moral lever. Current proposals for evidence-based, personalized, value-based, or systems care must traverse this ancient pathway if it is to be morally justified. The sick will always need physicians who practice technically correct, humanely administered, and morally guided personal care. Sessions’s book provides the compass that must not be lost in the current zeal for change in how physicians and society care for the sick, the most vulnerable of our fellow citizens.

Edmund D. Pellegrino, MD, MACP
Professor Emeritus of Medicine and Medical Ethics, Georgetown University
and Interim Director, Center for Clinical Bioethics, Georgetown University Medical Center, USA

06/05/13

SOPA – UM PRATO DE SAÚDE

A propósito do Dia Mundial da Saúde, comemorado no passado dia 7 de Abril, a Associação Portuguesa dos Nutricionistas preparou o e-book Sopas: Mais que um alimento, são um prato de saúde, que poderá consultar aqui.
 
Para reforçar estar mensagem, ninguém melhor que o Avô Cantigas...


01/05/13

PROBLEMAS NA COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE


Tenho no meu escritório umas estatuetas semelhantes a estas, que tipificam os três problemas principais de uma má relação médico-paciente, por responsabilidade do médico: não querer falar, não querer ver e não querer ouvir!

Um dos elementos mais importantes para o estabelecimento de uma relação de confiança entre o médico e o doente é uma comunicação eficaz, que inclui ouvir com atenção a sua história, deixá-lo expressar as suas preocupações e, sempre que possível, transmitir-lhe com palavras que ele possa entender o diagnóstico e eventual tratamento (se existir) da sua condição.

Há algum tempo atrás fui consultado por uma senhora que se queixava de dores numa perna. Depois de a observar e de excluir a presença de uma doença vascular, e de achar que as queixas que apresentava eram muito sugestivas de um problema ortopédico, verifiquei que tinha ido uns dias antes a uma consulta de ortopedia. Tive naturalmente curiosidade em saber o que lhe tinha dito o ortopedista acerca desse problema. Fiquei admirado com a resposta da doente: “ele não me deixou falar!”. Pelos vistos tinha-se limitado a ver uns exames que a paciente tinha feito, sem procurar saber quais eram realmente os sintomas que apresentava.

Já dizia Kafka, o conhecido escritor checo, que “receitar é mais simples do que conversar com o doente”. No entanto, é obrigação dos médicos ouvirem os pacientes e procurarem ser compreendidos.

29/04/13

OBESIDADE INFANTIL: A NOVA EPIDEMIA



Este vídeo institucional da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) alerta para os números atuais da obesidade infantil em Portugal e tem como objetivo sensibilizar para a importância da adoção de hábitos mais saudáveis pelas crianças como forma de prevenir e combater esta nova epidemia de saúde pública.

24/04/13

JURAMENTO MÉDICO DE AMATO LUSITANO

 
O médico português João Rodrigues (1511-1568), natural de Castelo Branco e mais conhecido por Amato Lusitano, na sua obra Centúrias inclui um Juramento na linha do Juramento de Hipócrates do século IV a. C., que representa um manual de conduta que os médicos deveriam seguir:

Juro perante Deus imortal e pelos seus dez santíssimos mandamentos, dados no Monte Sinai ao povo hebreu, por intermédio de Moisés, após o cativeiro do Egito, que na minha clínica nada tive mais a peito do que promover que a fé intacta das coisas chegasse ao conhecimento dos vindouros. Nada fingi, acrescentei ou alterei em minha honra ou que não fosse em benefício dos mortais. Nunca lisonjeei, nem censurei ninguém ou fui indulgente com quem quer que fosse por motivo de amizades particulares; sempre em tudo exigi a verdade;
Se sou perjuro, caia sobre mim a ira do Senhor e de Rafael, seu ministro, e ninguém mais tenha confiança no exercício da minha arte;
Quanto a honorários, que se costumam dar aos médicos, também fui sempre parcimonioso no pedir, tendo tratado muita gente com mediana recompensa e muita outra gratuitamente; muitas vezes rejeitei, firmemente, grandes salários, tendo sempre mais em vista que os doentes por minha intervenção recuperassem a saúde, do que tornar-me mais rico pela sua liberalidade ou pelos seus dinheiros;
Para tratar os doentes, jamais curei de saber se eram hebreus, cristãos ou sequazes da lei maometana; não corri atrás das honras e das glórias e com igual cuidado tratei dos pobres e dos nascidos em nobreza;
Nunca provoquei a doença; nos prognósticos disse sempre o que sentia; não favoreci um farmacêutico mais do que outro, a não ser quando em algum reconhecia, porventura, mais perícia na arte e maior bondade de coração, porque então o preferia aos demais;
Ao receitar sempre atendi às possibilidades pecuniárias do doente, usando de relativa moderação nos medicamentos prescritos; nunca divulguei o segredo a mim confiado, nunca a ninguém propinei poção venenosa; com minha intervenção nunca foi provocado o aborto; nas minhas consultas e visitas médicas femininas nunca pratiquei a menor torpeza; em suma, jamais fiz coisa de que se envergonhasse um médico preclaro e egrégio.
Sempre tive diante dos olhos, para os imitar, os exemplos de Hipócrates e de Galeno, os pais da Medicina, não desprezando as obras monumentais de alguns outros excelentes mestres na Arte Médica; fui sempre diligente no estudo e por tal forma que nenhuma ocupação ou circunstância, por mais urgente que fosse, me desviou da leitura dos bons autores; nem o prejuízo dos interesses particulares, nem as viagens por mar, nem as minhas frequentes deambulações por terra, nem por fim o próprio exílio, me abalaram a alma, como convém ao homem sábio; os discípulos que até hoje tenho tido em grande número e em lugar dos filhos tenho educado, sempre os ensinei muito sinceramente a que se inspirassem no exemplo dos bons;
Os meus livros de Medicina nunca os publiquei com outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade. Se o consegui, deixo a resposta ao julgamento dos outros, na certeza de que tal foi sempre a minha intenção e o maior dos meus desejos.

(Redigido em Tessalonica em 1559)