27/05/13

DISPOSITIVOS ELETRÓNICOS ANTI-MOSQUITOS


Um estudo de revisão sobre a utilização de dispositivos eletrónicos na prevenção de picadas de mosquitos e da malária, publicado na edição de Novembro passado de “The Cochrane Library”, chegou à conclusão que estes aparelhos são ineficazes em repelir os insetos. Além de não evitarem a picada de mosquitos, podem criar uma falsa sensação de segurança e levar ao relaxamento de medidas de proteção de eficácia comprovada, como o uso de cremes repelentes, uso de roupas claras e com manga comprida, evitar dormir ao ar livre ou em habitações sem proteção contra mosquitos,

Em regiões de elevada incidência de malária, como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, é ainda recomendável a profilaxia da infeção com medicação antipalúdica a todos os visitantes que permaneçam nesses países por um período inferior a seis meses.

23/05/13

TUNA DE MEDICINA DE COIMBRA

Balada de Despedida do 5º Ano Médico de 2006/2007



Canto noite fora, alma dentro.
Sinto que a Coimbra me entrego.
Tempos d’oiro leva-os o vento,
Minhas mágoas o Mondego.

Eis que chega a hora de partir,
Hora derradeira do adeus!
Levo, na memória,
Risos, prantos, histórias,
Coisas que não esqueço…
Peço só poder voltar.
 
Choro este sonho que se acaba,
Sonho de que acordo, triste fado!
Dos meus ombros, solta-se a capa,
Dos meus olhos, a saudade!...

Música e Letra: Guilherme Lourenço Fialho

Pode ouvir excertos de outros temas desta tuna clicando aqui.

20/05/13

O QUE É A SAÚDE?


A bem conhecida definição de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1948 como sendo o “estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, e não só a ausência de doença ou enfermidade” é, na minha opinião, irrealista e mesmo ingénua, pois não é de esperar que cada pessoa esteja a maior parte do tempo neste estado. Um antigo professor da Faculdade de Medicina de Lisboa costumava dizer que esta situação era apenas atingível em estado de coma. Georges Canguilhem, no seu livro O normal e o patológico, considera que “a saúde perfeita não existe, a não ser como um conceito normativo de um tipo ideal”. Esta definição da OMS tem no entanto a virtude de reconhecer as várias dimensões do ser humano, que é uma entidade biopsicossocial e não apenas um corpo físico.

Há várias outras definições de saúde, mas pessoalmente aprecio a definição de saúde de Galeno, famoso médico grego do séc. II da era cristã, que considera a saúde como uma espécie de meio termo entre a doença incapacitante e uma saúde perfeita de difícil alcance. É o “estado em que nos sentimos capazes de fazer as coisas que desejamos fazer com o mínimo de dor e desconforto”. Nesse sentido, uma pessoa pode considerar-se saudável apesar de alguns condicionalismos de natureza física ou mental, desde que não a impeçam de realizar os seus projetos de vida.

13/05/13

PREVENÇÃO DO CANCRO DA PELE


No próximo dia 15 de Maio decorrerá, em Portugal, o Dia do Cancro da Pele/Dia do Euromelanoma. Neste dia irão decorrer rastreios de cancro da pele, gratuitos, em vários Serviços de Dermatologia. Este rastreio está particularmente dirigido para as pessoas de risco ou mais vulneráveis a cancro da pele, que incluem pessoas:

nas quais surgiu um "sinal de novo", diferente dos outros, ou modificação recente de um sinal preexistente ou ferida ou sinal que não cicatriza, sobretudo em área de pele com antecedentes de exposição intensa ou prolongada ao sol;
de pele clara ou propensa a queimaduras solares;
que sofreram queimaduras solares durante a infância;
que estão ou costumavam passar demasiado tempo expostas ao sol (em trabalho ou lazer);
expostas a sol intenso e durante períodos curtos de tempo (p.ex. durante as férias);
que frequentaram ou frequentam solários;
com mais de 50 sinais (nevos) na pele;
com antecedentes familiares de cancro da pele;
com mais de 50 anos;
submetidas a um transplante de órgãos.

Fonte: Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo

01/05/13

PROBLEMAS NA COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE


Tenho no meu escritório umas estatuetas semelhantes a estas, que tipificam os três problemas principais de uma má relação médico-paciente, por responsabilidade do médico: não querer falar, não querer ver e não querer ouvir!

Um dos elementos mais importantes para o estabelecimento de uma relação de confiança entre o médico e o doente é uma comunicação eficaz, que inclui ouvir com atenção a sua história, deixá-lo expressar as suas preocupações e, sempre que possível, transmitir-lhe com palavras que ele possa entender o diagnóstico e eventual tratamento (se existir) da sua condição.

Há algum tempo atrás fui consultado por uma senhora que se queixava de dores numa perna. Depois de a observar e de excluir a presença de uma doença vascular, e de achar que as queixas que apresentava eram muito sugestivas de um problema ortopédico, verifiquei que tinha ido uns dias antes a uma consulta de ortopedia. Tive naturalmente curiosidade em saber o que lhe tinha dito o ortopedista acerca desse problema. Fiquei admirado com a resposta da doente: “ele não me deixou falar!”. Pelos vistos tinha-se limitado a ver uns exames que a paciente tinha feito, sem procurar saber quais eram realmente os sintomas que apresentava.

Já dizia Kafka, o conhecido escritor checo, que “receitar é mais simples do que conversar com o doente”. No entanto, é obrigação dos médicos ouvirem os pacientes e procurarem ser compreendidos.