29/10/12

QUERO SER MÉDICO


Não conheço o Dr. João Magalhães, autor deste livro, mas felicito-o pela feliz e oportuna iniciativa de escrever este pequeno guia prático, de grande utilidade para os jovens portugueses que ponderam escolher a Medicina como sua futura profissão.
 
Aprecio também a forma como o autor responde à pergunta “que tipo de pessoa é um bom médico?” (p. 25):
 «Um bom médico é um bom comunicador e tem a capacidade de escutar com atenção os seus doentes. É uma pessoa com empatia e com a preocupação de informar os doentes, adequadamente, sobre o diagnóstico e tratamento da(s) doença(s) em causa, assegurando-se que os doentes entendem o que lhes foi comunicado.
Um bom médico é uma pessoa altruísta e, consequentemente, está sempre disposto a pôr as necessidades dos seus doentes em primeiro lugar.
Um bom médico tem um bom sentido de serviço (de saber servir com gosto e com vontade). Preocupa-se sempre em ajudar os outros a sentirem-se melhores e em aperfeiçoar o serviço de saúde prestado.
Acima de tudo, um bom médico tem um forte sentido de profissionalismo. Estima a sua honra e integridade, comprometendo-se a manter os valores eternos da Medicina».

22/10/12

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO

Em 2000, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), 189 chefes de Estado e de Governo, incluindo Portugal, assinaram a chamada “Declaração do Milénio”, que levou à formulação de 8 objetivos de desenvolvimento, a alcançar até 2015.
 
O Relatório mais recente de avaliação do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, publicado pela ONU em Julho passado, revela que três dos oito objetivos estabelecidos já foram cumpridos. Os objetivos atingidos foram: reduzir para metade o número de pessoas vivendo em situações de extrema pobreza; reduzir para metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável e melhorar a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de favelas. Pode obter informações detalhadas sobre os progressos alcançados aqui.



 

16/10/12

ANO EUROPEU DO ENVELHECIMENTO ATIVO

2012 foi designado pela União Europeia o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações. A noção de envelhecimento ativo refere-se à possibilidade de se envelhecer com saúde e autonomia, continuando a participar plenamente na sociedade enquanto cidadão ativo. Independentemente da idade, todos podem continuar a desempenhar um papel na sociedade e a usufruir de uma boa qualidade de vida. O desafio consiste em aproveitar da melhor forma o enorme potencial que cada um conserva até ao fim da vida.
 

10/10/12

O QUE É A HEPATITE C?



Angelina Jolie, a famosa atriz e também embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados é, segundo a imprensa, portadora de uma hepatite C e irá provavelmente ser submetida a um transplante de fígado a curto prazo.
 
A hepatite C é uma doença inflamatória do fígado provocada pela infeção com o vírus da hepatite C. Hepatite é um termo genérico que significa inflamação do fígado. Além de vírus, outras causas de hepatite são o álcool, doenças metabólicas ou auto-imunes e vários medicamentos.

A hepatite C transmite-se geralmente através do contacto com sangue contendo o vírus, como por exemplo, pela transfusão de sangue ou derivados (principalmente antes de 1992, uma vez que a partir deste data todos os dadores de sangue em Portugal são testados para o vírus da hepatite C), partilha de agulhas para injeção de drogas, tatuagens com agulhas não esterilizadas, perfuração de orelhas ou outras partes do corpo com agulhas não esterilizadas (piercing), acupunctura com agulhas não esterilizadas, partilha de objetos cortantes que possam contaminar-se com sangue, como lâminas de barbear, corta-unhas, tesouras ou escovas de dentes, e relações sexuais não protegidas (o risco é maior nas pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou em homossexuais).

A maioria das pessoas com hepatite C não apresenta sintomas quando são infetadas pela primeira vez. Algumas podem ter queixas semelhantes à gripe, com febre, arrepios, dores musculares e articulares. Por vezes podem surgir náuseas e vómitos, urina escura e cor amarela da pele e dos olhos (icterícia). Alguns indivíduos conseguem eliminar o vírus, mas a maioria evolui para uma infeção crónica. A progressão para cirrose do fígado é lenta, nalguns casos pode ser superior a vinte anos. O sintoma mais frequente da doença hepática crónica é o cansaço, mas este pode ocorrer ocasionalmente e ser atribuído a outras causas. Mais raramente, o doente apresenta-se com uma complicação da cirrose (ascite, hemorragia digestiva) ou já com um tumor do fígado.

A hepatite C deteta-se muitas vezes num exame de rotina ou quando uma pessoa se oferece para dar sangue.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

04/10/12

MAQUIAVEL E OS POLÍTICOS

                        "Acaso sou um político, sou insidioso, sou um Maquiavel?"
                         William Shakespeare in As Alegres Comadres de Windsor

As brutais medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Ministro das Finanças irão certamente contribuir para a falta de esperança dos portugueses na competência do atual governo, após um período inicial de grande expectativa no rescaldo dos desmandos socráticos. A solução encontrada pelos sucessivos governos para combater o défice orçamental tem sido o aperto fiscal dos contribuintes, sobretudo de quem trabalha e paga os seus impostos, em vez de proporem medidas firmes de redução dos gastos obscenos do Estado e de combate à corrupção e evasão fiscal.
 
Há algumas semanas atrás participei como preletor num colóquio onde também interveio um conhecido político, com importantes responsabilidades parlamentares, por quem nutria alguma simpatia. Qual não foi o meu espanto quando esse reputado indivíduo defendeu despudoradamente a “proposta” do florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) no seu livro O Príncipe, de uma política sem ética e sem valores.
 
Com políticos destes, não antevejo melhores tempos.


01/10/12

QUE MÉDICOS QUEREMOS?

No sábado passado, realizou-se uma sessão de lançamento do meu livro “Que Médicos Queremos? Uma abordagem a partir de Edmund D. Pellegrino” na Universidade do Minho, integrada no 17.º Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar. A obra foi apresentada pelos Professores Daniel Serrão, Silveira de Brito e Ana Paula Coutinho, tendo a sessão sido moderada pelo Dr. João Sequeira Carlos, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
 

 
Partilho hoje alguns extratos do prefácio, da autoria do Prof. Daniel Serrão:

“Vejo este livro de Jorge Cruz  como um esforço do seu Autor para ajudar os Cidadãos  a pensarem na resposta à questão sobre qual o tipo de médico que querem ter à sua volta quando a doença lhes bater à porta.
Jorge Cruz não se apresenta sozinho a realizar esta tarefa de ajudar os Cidadãos a construírem, cada um na sua cultura e na sua inteligência, o tipo de médicos que realmente querem que exista e ao qual possam, um dia, recorrer. Escolheu um bom companheiro de jornada na pessoa do grande internista americano, Edmund Daniel Pellegrino, cuja obra científica, profissional e humanista estudou e discutiu com invulgar sagacidade noutra obra.
Jorge Cruz reconhece, a abrir a sua exposição, que sempre houve uma reflexão filosófica sobre a natureza da medicina como relação privilegiada entre duas pessoas. Sendo um diálogo interpessoal, a prática de acolher e ajudar o outro tem de ocorrer, sempre, em contexto ético. Não é um mero exercício profissional apenas técnico; é técnico, mas é, necessariamente, ético. E esta é, para Jorge Cruz, a marca indelével da medicina, que, por isso, coloca ao médico responsabilidades particulares que ele terá de saber assumir.
E assumir estas responsabilidades é, para Jorge Cruz, comportar-se como um ser humano virtuoso.
Reconhece, contudo, que não é fácil elencar as virtudes que o médico deve possuir como estruturantes da sua atividade profissional. Até porque há um hiato entre virtudes pessoais e comportamento virtuoso.
Apoiado em Pellegrino, desenvolve o conteúdo das oito virtudes mais substantivas do médico como profissional. O capítulo V, onde é apresentado este tema é, a meu ver, uma espécie de código ético ao qual os leitores médicos terão o maior benefício em recorrer quando tenham de decidir em situações mais delicadas.
E onde os Cidadãos encontrarão o fundamento para responderem à questão inicial: que médicos querem eles, cidadãos, para serem seus cuidadores quando se sentirem doentes?
A resposta está neste livro: querem os que forem portadores das oito virtudes cardeais e as usem quando decidem sobre a pessoa doente que se entrega aos seus cuidados.
 
Jorge Cruz trata, ainda, de um aspeto, complementar mas importante, como é o do ensino das virtudes nas Escolas de Medicina. Salienta as dificuldades que este ensino defronta porque, a seu ver, e bem, o melhor ensino das virtudes é o da experiência de observar comportamentos virtuosos por parte dos profissionais em ação. Mas não é pessimista quanto à possibilidade de formalizar este ensino no quadro de um ensino das humanidades.
O tema das humanidades, que comenta na parte final deste seu livro, é pretexto para forragear em Pellegrino e colher ensinamentos que transmite com assinalável clareza. Sem esquecer que, no novo ensino médico praticado na Universidade do Minho, as humanidades têm já expressão curricular, por inspiração do saudoso Professor Joaquim Pinto Machado.
Em síntese, digo que este livro de Jorge Cruz aborda um tema da maior atualidade, como é o da formação do médico para a modernidade, e o seu conteúdo não interessa apenas aos profissionais de saúde mas a quantos, e somos todos, os que  virão um dia  a recorrer aos médicos como cuidadores da doença e promotores da saúde”.