28/11/12

ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) foi um diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou cerca de 30 000 judeus da perseguição nazi, quando a França foi invadida pela Alemanha em 1940. Contrariando as ordens do ditador Salazar, passou milhares de vistos em Bordéus e, posteriormente, em Bayonne. Segundo um historiador, foi “a maior ação de salvamento por um único indivíduo durante o Holocausto”.
 
O filme “Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus”, realizado em 2011, revela a humanidade e coragem deste português ilustre.


26/11/12

PROCURADOR DE CUIDADOS DE SAÚDE

Foi implementada há 5 meses em Portugal legislação sobre diretivas antecipadas de vontade no âmbito dos cuidados de saúde (Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho), sob a forma de um testamento vital ou da nomeação de um procurador de cuidados de saúde. Na minha opinião, a grande vantagem desta lei foi regulamentar a figura de um procurador de cuidados de saúde, que possa representar e decidir pelo paciente “quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente”(Art. 12.º, n.º1).
  
Para o bioeticista Edmund Pellegrino, o testamento vital deveria ser um documento de último recurso se uma pessoa não tiver ninguém da sua confiança que possa designar como Procurador de Cuidados de Saúde. Isto porque o Testamento Vital não pode especificar todos os detalhes e contingências de situações que poderão vir a ocorrer num futuro mais ou menos distante.

19/11/12

A VIDA E A ARTE DE ROBERT POPE

Robert Pope, natural do Canadá, faleceu com apenas 35 anos. Durante os últimos dez anos da sua curta vida, procurou combater o linfoma de Hodgkin que acabaria por o vitimar. Nesse período, devido à sua formação artística, representou inúmeras situações que presenciou como paciente. Algumas das experiências que vivenciou denotam falta de humanização na prestação dos cuidados de saúde, que as suas ilustrações representam de uma forma pungente.
 
Poderá conhecer mais acerca da sua vida e obra aqui.

13/11/12

PREVENÇÃO DO HIV-SIDA EM MOÇAMBIQUE

Um dos principais comportamentos de risco associados à propagação do HIV-SIDA (AIDS) são relações sexuais extraconjugais. Os dois vídeos seguintes, realizados em Moçambique no âmbito de uma campanha de prevenção, pretendem alertar a população, sobretudo as camadas mais jovens, para este importante problema sanitário e social.
 




29/10/12

QUERO SER MÉDICO


Não conheço o Dr. João Magalhães, autor deste livro, mas felicito-o pela feliz e oportuna iniciativa de escrever este pequeno guia prático, de grande utilidade para os jovens portugueses que ponderam escolher a Medicina como sua futura profissão.
 
Aprecio também a forma como o autor responde à pergunta “que tipo de pessoa é um bom médico?” (p. 25):
 «Um bom médico é um bom comunicador e tem a capacidade de escutar com atenção os seus doentes. É uma pessoa com empatia e com a preocupação de informar os doentes, adequadamente, sobre o diagnóstico e tratamento da(s) doença(s) em causa, assegurando-se que os doentes entendem o que lhes foi comunicado.
Um bom médico é uma pessoa altruísta e, consequentemente, está sempre disposto a pôr as necessidades dos seus doentes em primeiro lugar.
Um bom médico tem um bom sentido de serviço (de saber servir com gosto e com vontade). Preocupa-se sempre em ajudar os outros a sentirem-se melhores e em aperfeiçoar o serviço de saúde prestado.
Acima de tudo, um bom médico tem um forte sentido de profissionalismo. Estima a sua honra e integridade, comprometendo-se a manter os valores eternos da Medicina».

22/10/12

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO

Em 2000, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), 189 chefes de Estado e de Governo, incluindo Portugal, assinaram a chamada “Declaração do Milénio”, que levou à formulação de 8 objetivos de desenvolvimento, a alcançar até 2015.
 
O Relatório mais recente de avaliação do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, publicado pela ONU em Julho passado, revela que três dos oito objetivos estabelecidos já foram cumpridos. Os objetivos atingidos foram: reduzir para metade o número de pessoas vivendo em situações de extrema pobreza; reduzir para metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável e melhorar a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de favelas. Pode obter informações detalhadas sobre os progressos alcançados aqui.



 

16/10/12

ANO EUROPEU DO ENVELHECIMENTO ATIVO

2012 foi designado pela União Europeia o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações. A noção de envelhecimento ativo refere-se à possibilidade de se envelhecer com saúde e autonomia, continuando a participar plenamente na sociedade enquanto cidadão ativo. Independentemente da idade, todos podem continuar a desempenhar um papel na sociedade e a usufruir de uma boa qualidade de vida. O desafio consiste em aproveitar da melhor forma o enorme potencial que cada um conserva até ao fim da vida.
 

04/10/12

MAQUIAVEL E OS POLÍTICOS

                        "Acaso sou um político, sou insidioso, sou um Maquiavel?"
                         William Shakespeare in As Alegres Comadres de Windsor

As brutais medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Ministro das Finanças irão certamente contribuir para a falta de esperança dos portugueses na competência do atual governo, após um período inicial de grande expectativa no rescaldo dos desmandos socráticos. A solução encontrada pelos sucessivos governos para combater o défice orçamental tem sido o aperto fiscal dos contribuintes, sobretudo de quem trabalha e paga os seus impostos, em vez de proporem medidas firmes de redução dos gastos obscenos do Estado e de combate à corrupção e evasão fiscal.
 
Há algumas semanas atrás participei como preletor num colóquio onde também interveio um conhecido político, com importantes responsabilidades parlamentares, por quem nutria alguma simpatia. Qual não foi o meu espanto quando esse reputado indivíduo defendeu despudoradamente a “proposta” do florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) no seu livro O Príncipe, de uma política sem ética e sem valores.
 
Com políticos destes, não antevejo melhores tempos.


01/10/12

QUE MÉDICOS QUEREMOS?

No sábado passado, realizou-se uma sessão de lançamento do meu livro “Que Médicos Queremos? Uma abordagem a partir de Edmund D. Pellegrino” na Universidade do Minho, integrada no 17.º Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar. A obra foi apresentada pelos Professores Daniel Serrão, Silveira de Brito e Ana Paula Coutinho, tendo a sessão sido moderada pelo Dr. João Sequeira Carlos, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
 

 
Partilho hoje alguns extratos do prefácio, da autoria do Prof. Daniel Serrão:

“Vejo este livro de Jorge Cruz  como um esforço do seu Autor para ajudar os Cidadãos  a pensarem na resposta à questão sobre qual o tipo de médico que querem ter à sua volta quando a doença lhes bater à porta.
Jorge Cruz não se apresenta sozinho a realizar esta tarefa de ajudar os Cidadãos a construírem, cada um na sua cultura e na sua inteligência, o tipo de médicos que realmente querem que exista e ao qual possam, um dia, recorrer. Escolheu um bom companheiro de jornada na pessoa do grande internista americano, Edmund Daniel Pellegrino, cuja obra científica, profissional e humanista estudou e discutiu com invulgar sagacidade noutra obra.
Jorge Cruz reconhece, a abrir a sua exposição, que sempre houve uma reflexão filosófica sobre a natureza da medicina como relação privilegiada entre duas pessoas. Sendo um diálogo interpessoal, a prática de acolher e ajudar o outro tem de ocorrer, sempre, em contexto ético. Não é um mero exercício profissional apenas técnico; é técnico, mas é, necessariamente, ético. E esta é, para Jorge Cruz, a marca indelével da medicina, que, por isso, coloca ao médico responsabilidades particulares que ele terá de saber assumir.
E assumir estas responsabilidades é, para Jorge Cruz, comportar-se como um ser humano virtuoso.
Reconhece, contudo, que não é fácil elencar as virtudes que o médico deve possuir como estruturantes da sua atividade profissional. Até porque há um hiato entre virtudes pessoais e comportamento virtuoso.
Apoiado em Pellegrino, desenvolve o conteúdo das oito virtudes mais substantivas do médico como profissional. O capítulo V, onde é apresentado este tema é, a meu ver, uma espécie de código ético ao qual os leitores médicos terão o maior benefício em recorrer quando tenham de decidir em situações mais delicadas.
E onde os Cidadãos encontrarão o fundamento para responderem à questão inicial: que médicos querem eles, cidadãos, para serem seus cuidadores quando se sentirem doentes?
A resposta está neste livro: querem os que forem portadores das oito virtudes cardeais e as usem quando decidem sobre a pessoa doente que se entrega aos seus cuidados.
 
Jorge Cruz trata, ainda, de um aspeto, complementar mas importante, como é o do ensino das virtudes nas Escolas de Medicina. Salienta as dificuldades que este ensino defronta porque, a seu ver, e bem, o melhor ensino das virtudes é o da experiência de observar comportamentos virtuosos por parte dos profissionais em ação. Mas não é pessimista quanto à possibilidade de formalizar este ensino no quadro de um ensino das humanidades.
O tema das humanidades, que comenta na parte final deste seu livro, é pretexto para forragear em Pellegrino e colher ensinamentos que transmite com assinalável clareza. Sem esquecer que, no novo ensino médico praticado na Universidade do Minho, as humanidades têm já expressão curricular, por inspiração do saudoso Professor Joaquim Pinto Machado.
Em síntese, digo que este livro de Jorge Cruz aborda um tema da maior atualidade, como é o da formação do médico para a modernidade, e o seu conteúdo não interessa apenas aos profissionais de saúde mas a quantos, e somos todos, os que  virão um dia  a recorrer aos médicos como cuidadores da doença e promotores da saúde”.

24/09/12

EUTANÁSIA: UMA FONTE DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTAÇÃO?

Um artigo publicado na revista Applied Cardiopulmonary Pathophysiology   apresenta despudoradamente os primeiros casos conhecidos de colheita de órgãos de doentes mortos por eutanásia, para serem transplantados em doentes que deles necessitam. Esta situação não ocorreu na China, que desde há vários anos utiliza órgãos para transplante provenientes de prisioneiros condenados à morte, mas sim num hospital em Lovaina, na Bélgica, em 2011, nove anos após a legalização da prática da eutanásia neste país.
 
Trata-se de um exemplo extremo e inaceitável de instrumentalização da pessoa humana, que de certa forma se assemelha a algumas práticas criminosas executadas por muitos médicos nazis. Apesar do artigo referir ter sido obtido o consentimento de todos os dadores, antes de serem eutanasiados, não demorará muito tempo até se efetuarem colheitas de órgãos de pessoas submetidas a eutanásia não voluntária (sem o consentimento livre e esclarecido do doente), que se tem verificado nos países onde a eutanásia e/ou o suicídio assistido são legais. O artigo Legalizing euthanasia or assisted suicide: the illusion of safeguardsand controls chama precisamente a atenção para a dificuldade de se regular a prática da eutanásia e/ou o suicídio assistido de acordo com os requisitos definidos por lei.