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02/04/14

PEDALAR PELA SAÚDE

A Holanda apresenta uma das mais elevadas taxas mundiais de utilização da bicicleta como meio de transporte, não obstante o seu clima mais agreste que outros locais do globo. Essa atividade física diária de uma percentagem significativa da população (cerca de 30%) poderá ser um dos fatores protetores de doenças cardiovasculares, oncológicas e obesidade, comparativamente a outros países, que apresentam em média taxas mais altas destas doenças.

 
Em pessoas com doença venosa dos membros inferiores, nomeadamente com insuficiência das veias pequenas safenas (antigamente chamadas veias safenas externas) e em que a cirurgia não seja possível (p. ex. por insuficiência concomitante dos eixos venosos profundos) é muito importante a utilização de meias elásticas durante a prática de ciclismo.


26/12/12

SINTOMAS DA DOENÇA VENOSA

 
A doença venosa dos membros inferiores manifesta-se por vários sintomas gerais não específicos como sensação de pernas pesadas, sensação de pernas inchadas, dor, desconforto ou comichão dos membros. Há, contudo, algumas características frequentes nesta doença. Os sintomas aumentam geralmente de intensidade ao longo do dia, assim como nos períodos de maior calor e na posição de pé, e normalmente não aliviam com medicação analgésica ou anti-inflamatória mas sim com medicamentos venoativos e uso de meias elásticas.
 
A realização de um ecodoppler venoso dos membros inferiores é um exame importante para a confirmação do diagnóstico.

04/10/10

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA: PODE SER FATAL!

A trombose venosa profunda (TVP) é uma doença frequente, sobretudo nos membros inferiores. As suas principais complicações são, na fase aguda, a embolia pulmonar, potencialmente fatal e, numa fase tardia, a doença venosa crónica com eventual ulceração.
 
A doença venosa, imobilização prolongada, doença oncológica, grandes cirurgias (nomeadamente ortopédicas), obesidade, voos de longo curso e gravidez são alguns dos fatores de risco da TVP e tromboembolismo pulmonar.
 
As manifestações clínicas mais comuns da TVP são o edema (inchaço) do membro, a dor espontânea e/ou à palpação dos eixos venosos profundos, bem como a palidez ou a cianose do membro. Contudo, numa percentagem elevada de doentes com TVP, que pode chegar aos 50%, pode não haver quaisquer sinais ou sintomas ou apenas os resultantes da sua complicação mais temida - a embolia pulmonar, como a dor torácica e a falta de ar. Só nos EUA, morrem todos os anos 300 000 pessoas na sequência de embolia pulmonar.
 
É assim necessário um alto grau de suspeição para se chegar ao diagnóstico, sendo o ecodoppler venoso dos membros inferiores o exame de primeira linha. O tratamento inclui medicação anticoagulante e a utilização de meias elásticas.

06/09/10

DOENÇA VENOSA: CONSELHOS GERAIS

Algumas das recomendações que faço aos meus doentes com varizes ou com sinais ou sintomas de insuficiência venosa dos membros inferiores:

Praticar actividade física moderada (p.e. andar a pé, ginástica, dança, natação, ciclismo).
Evitar exposição ao calor e água quente (p.e. sol, lareira, sauna, jacuzzi).
Evitar o uso de roupas apertadas e sapatos de salto alto ou sem salto. Os sapatos devem ter 3-4 cm de altura no calcanhar.
Evitar períodos prolongados em pé ou sentado/a, principalmente na mesma posição.
Evitar o excesso de peso e a prisão de ventre.
Dormir com os pés da cama elevados 10-15cm.

01/03/10

MEIAS ELÁSTICAS NA DOENÇA VENOSA

A utilização de meias de contenção elástica é um dos esteios do tratamento da doença venosa crónica (e do edema linfático), desde que não haja contra-indicações como insuficiência arterial associada ou outras patologias.
 
Se a insuficiência for proximal, ou seja, se houver varizes tronculares na coxa ou insuficiência franca acima do joelho, detectada no ecodoppler, deverá ser prescrito collant ou um par de meias elásticas até à virilha. Se a insuficiência venosa for apenas distal, poderá ser suficiente a utilização de meias até ao joelho.
 
Quanto ao grau ou classe de compressão, receito com mais frequência meias elásticas de grau II, correspondentes a 23-32 mmHg. As de grau I (18-21 mmHg) estão indicadas para alívio sintomático (de dor ou sensação de peso nos membros inferiores) quando o ecodoppler não revela alterações hemodinâmicas significativas.
 
Na insuficiência venosa crónica com história de ulceração ou com edema, pigmentação cutânea ou outros sinais de estase venosa, bem como nas situações de trombose venosa profunda, idealmente deveriam ser prescritas meias de grau III (34-46 mmHg). No entanto, na minha experiência é preferível receitar-se inicialmente meias de grau II e, se houver boa adesão do doente, grau III ou IV (>49 mmHg) numa consulta posterior.
 
Existem várias marcas à venda mas apenas algumas apresentam fiabilidade (em termos de compressão) e durabilidade comprovadas, com diferentes cores e modelos à escolha. Se apresenta doença venosa ou linfática dos membros inferiores, o seu médico de Cirurgia Vascular saberá receitar-lhe as meias elásticas mais adequadas à sua situação clínica.
 
As chamadas “meias de descanso” apresentam um grau de compressão variável, situado entre 6 e 14 mmHg. São classificadas, de acordo com a espessura da linha, em 70 ou 140 deniers. As últimas são um pouco mais grossas mas não necessariamente mais compressivas. Embora seja melhor que os doentes com insuficiência venosa utilizem este tipo de meias do que nenhum, não são as que recomendo no tratamento da doença venosa estabelecida.

05/01/10

RECOMENDAÇÕES PARA DOENTES QUE VÃO SER OPERADOS ÀS VARIZES

Tenho por hábito entregar a cada doente com indicação para ser operado/a às varizes, com cirurgia marcada, as seguintes recomendações que elaborei. Penso que é uma boa prática clínica, que deveria ser seguida por todos os colegas.

1. Deverá comprar meias de contenção elástica, se ainda não as usa, que deverá utilizar durante os dois primeiros meses após a cirurgia. A receita com o tipo de meias e grau de compressão deverá ser prescrita pelo seu cirurgião vascular.
2. Se é fumador/a, é aconselhável que deixe de fumar pelo menos um mês antes da data da cirurgia, para melhor adaptação da função respiratória aos efeitos da anestesia.
3. As mulheres que tomam a pílula deverão interromper a sua administração um mês antes da operação e retomá-la um mês depois da cirurgia, para diminuir o risco de trombose venosa.
4. Se toma habitualmente medicação que interfere com a coagulação do sangue (anticoagulantes, anti-inflamatórios, etc.), é aconselhável suspender a sua administração uma semana antes da data da cirurgia, para reduzir o risco de hemorragia e formação de hematomas.
5. Deverá efectuar a depilação do(s) membro(s) a operar, na véspera da data da cirurgia, preferencialmente através da utilização de creme depilatório.
6. Não deverá aplicar outros cremes ou pomadas nas pernas nos dois dias anteriores à operação, pois dificultarão a marcação de varizes, clinicamente visíveis, no dia da cirurgia.
7. É necessário ficar em jejum total (para sólidos e líquidos) durante pelo menos 6 horas antes da cirurgia.
8. No dia da cirurgia, deverá trazer consigo todos os exames recentes realizados (ecodoppler venoso, análises, ECG e outros que lhe tenham sido pedidos), bem como a sua medicação habitual.