16/01/13

MANTER A CHAMA ACESA NA MEDICINA


Os profissionais de saúde são um grupo de elevada prevalência de stress ocupacional, quer por fatores  intrínsecos ao trabalho, como  p. ex. o trabalho excessivo ou falta de condições para o exercer condignamente, ou por fatores extrínsecos, como p. ex. dificuldade nos relacionamentos interpessoais. O texto seguinte, da autoria do Prof. David Chaput de Saintonge, Diretor de Educação da PRIME – Partnerships in International Medical Education, apresenta dez sugestões que poderão ajudar os profissionais de saúde a encararem a sua profissão com maior satisfação e a contrariarem o desânimo, a falta de empatia e a desumanização nos serviços de saúde.
 
1. Stay away from cynics. Keep away from people who are always grumbling, criticising and pessimistic about the fundamental goodness of human nature. If you stay with them, you risk becoming like them.

2. Stay close to your patients. Listen to them and try to understand their sufferings so that it is easy to identify with them. One of the major causes of lack of compassion is a sense of distance between yourself and the sufferer. This may be caused by differences in race, language, religion, cleanliness – or just about anything. If you find yourself without compassion for a patient, ask yourself what is causing the distance. To remain fully present in the face of suffering requires maturity and both internal and external resources. These are provided by the three ‘F’s – faith, family and friends.

3. Remember your wounds. There is a saying ‘never trust a doctor who does not bear a wound.’ How often have you had people say ‘I know just how you feel.’ and you have thought ‘Oh no you don’t. You have never experienced what I’m going through right now.’ Although your physical, mental and spiritual wounds will cause you to suffer, they are a valuable cause of compassion for your patients. They will help you reduce the distance.

4. Stop for the one. You can always make a difference to someone; you can never make a difference to everyone. It’s tempting to rush on by and be overcome by business. Time pressure often has a devastating effect on altruistic behaviour which may only be shown when social norms permit.

5. ‘Weep with those who weep and mourn with those who mourn.’ Don’t be afraid to express your emotions. That is what makes you human and not a machine. Patients want to be treated by humans. The evidence suggests that patients feel supported by displays of emotion by their doctors, especially anger if it is on the patient’s behalf.

6. But remember their suffering is not your suffering. Compassion fatigue is a real problem for the empathic doctor who becomes overwhelmed with the suffering of his patients and cannot escape. Make sure that you are well resourced and exercised both physically, mentally and spiritually.

7. Be thankful for all the blessings you have. This will help keep you both compassionate and content. Some people write a short note to themselves at the end of each week simply listing the things for which they are thankful in their lives.

8. Work closely with good role models for compassionate relationships, both medical and non-medical. It seems likely that a combination of your mirror neurones activity and neuroplasticity will gradually alter the way your brain is structured and the way it works. Both good and bad attitudes can be learnt in this way. In the same way, if you practice compassion yourself, the structure of your brain will change and so will you as a person and as a doctor.

9. Make conscious judgements of which actions show compassion and which do not, both in yourself and in others. This use of your emotional intelligence keeps you alert and tuned in to what is happening and keeps you on track.

10. Admire what is good; oppose what is bad. You have the power and the responsibility to develop a caring environment where you are. You are a role model and an influence for good, not just with your students and your peers but also those who are senior to you. Several times in my life my students have set me straight when my attitude was not as it should have been.

09/01/13

O ABOMINÁVEL EDEMA LINFÁTICO



O edema linfático, ou linfedema, resulta da insuficiência ou obstrução da circulação linfática de um ou mais membros, levando a uma acumulação de linfa no tecido intersticial. Inicialmente o aumento de volume do membro (edema) é transitório, mas ao longo do tempo torna-se permanente e irreversível.

Pode resultar de uma anomalia congénita (linfedema primário) ou, mais frequentemente, ser causado por uma infeção cutânea, doença venosa (trombose venosa profunda) ou oncológica, parasitose (elefantíase), cirurgia ou radioterapia (p. ex. no tratamento do cancro da mama). Nestas situações em que há uma causa identificável, o linfedema é considerado secundário.

Uma característica do edema linfático dos membros inferiores é afetar a região dorsal e dedos do pé, o que permite distingui-lo de edemas de outra natureza. O linfedema facilita a ocorrência de processos infeciosos (celulite, linfangite, erisipela), que agravam o quadro clínico uma vez que obstruem os vasos linfáticos.

O diagnóstico pode ser feito a partir da história e observação clínicas. Contudo, a realização de um ecodoppler venoso dos membros inferiores permitirá analisar se existe doença venosa associada.

O tratamento do edema linfático é difícil. Inclui medidas gerais de prevenção, nomeadamente cuidados de higiene adequados, exercício físico, elevação do(s) membro(s) afetados, massagem de drenagem linfática, terapêutica farmacológica e compressão elástica. É também fundamental o tratamento imediato de infeções cutâneas, muitas vezes com antibióticos de largo espetro.

02/01/13

TABAGISMO E DOENÇA VENOSA


Além da associação bem conhecida entre o consumo de tabaco e o aumento exponencial de inúmeras doenças cardiovasculares e oncológicas, está também cientificamente demonstrado que o tabagismo é um fator de risco para o desenvolvimento de varizes.

Mais uma boa razão, entre muitas outras, para os fumadores deixarem de fumar.

26/12/12

SINTOMAS DA DOENÇA VENOSA

 
A doença venosa dos membros inferiores manifesta-se por vários sintomas gerais não específicos como sensação de pernas pesadas, sensação de pernas inchadas, dor, desconforto ou comichão dos membros. Há, contudo, algumas características frequentes nesta doença. Os sintomas aumentam geralmente de intensidade ao longo do dia, assim como nos períodos de maior calor e na posição de pé, e normalmente não aliviam com medicação analgésica ou anti-inflamatória mas sim com medicamentos venoativos e uso de meias elásticas.
 
A realização de um ecodoppler venoso dos membros inferiores é um exame importante para a confirmação do diagnóstico.

19/12/12

A MAIS BELA HISTÓRIA



Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados".
 
Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel" que significa "Deus connosco". Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.
 
[S. Mateus 1, 18-25]

This is how the birth of Jesus the Messiah came about: His mother Mary was pledged to be married to Joseph, but before they came together, she was found to be pregnant through the Holy Spirit. Because Joseph her husband was faithful to the law, and yet did not want to expose her to public disgrace, he had in mind to divorce her quietly. But after he had considered this, an angel of the Lord appeared to him in a dream and said, “Joseph son of David, do not be afraid to take Mary home as your wife, because what is conceived in her is from the Holy Spirit. She will give birth to a son, and you are to give him the name Jesus, because he will save his people from their sins”.

All this took place to fulfill what the Lord had said through the prophet:  “The virgin will conceive and give birth to a son, and they will call him Immanuel” (which means “God with us”). When Joseph woke up, he did what the angel of the Lord had commanded him and took Mary home as his wife. But he did not consummate their marriage until she gave birth to a son. And he gave him the name Jesus.

[Matthew 1, 18-25]
 
 

28/11/12

ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) foi um diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou cerca de 30 000 judeus da perseguição nazi, quando a França foi invadida pela Alemanha em 1940. Contrariando as ordens do ditador Salazar, passou milhares de vistos em Bordéus e, posteriormente, em Bayonne. Segundo um historiador, foi “a maior ação de salvamento por um único indivíduo durante o Holocausto”.
 
O filme “Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus”, realizado em 2011, revela a humanidade e coragem deste português ilustre.


26/11/12

PROCURADOR DE CUIDADOS DE SAÚDE

Foi implementada há 5 meses em Portugal legislação sobre diretivas antecipadas de vontade no âmbito dos cuidados de saúde (Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho), sob a forma de um testamento vital ou da nomeação de um procurador de cuidados de saúde. Na minha opinião, a grande vantagem desta lei foi regulamentar a figura de um procurador de cuidados de saúde, que possa representar e decidir pelo paciente “quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente”(Art. 12.º, n.º1).
  
Para o bioeticista Edmund Pellegrino, o testamento vital deveria ser um documento de último recurso se uma pessoa não tiver ninguém da sua confiança que possa designar como Procurador de Cuidados de Saúde. Isto porque o Testamento Vital não pode especificar todos os detalhes e contingências de situações que poderão vir a ocorrer num futuro mais ou menos distante.

19/11/12

A VIDA E A ARTE DE ROBERT POPE

Robert Pope, natural do Canadá, faleceu com apenas 35 anos. Durante os últimos dez anos da sua curta vida, procurou combater o linfoma de Hodgkin que acabaria por o vitimar. Nesse período, devido à sua formação artística, representou inúmeras situações que presenciou como paciente. Algumas das experiências que vivenciou denotam falta de humanização na prestação dos cuidados de saúde, que as suas ilustrações representam de uma forma pungente.
 
Poderá conhecer mais acerca da sua vida e obra aqui.

13/11/12

PREVENÇÃO DO HIV-SIDA EM MOÇAMBIQUE

Um dos principais comportamentos de risco associados à propagação do HIV-SIDA (AIDS) são relações sexuais extraconjugais. Os dois vídeos seguintes, realizados em Moçambique no âmbito de uma campanha de prevenção, pretendem alertar a população, sobretudo as camadas mais jovens, para este importante problema sanitário e social.
 




29/10/12

QUERO SER MÉDICO


Não conheço o Dr. João Magalhães, autor deste livro, mas felicito-o pela feliz e oportuna iniciativa de escrever este pequeno guia prático, de grande utilidade para os jovens portugueses que ponderam escolher a Medicina como sua futura profissão.
 
Aprecio também a forma como o autor responde à pergunta “que tipo de pessoa é um bom médico?” (p. 25):
 «Um bom médico é um bom comunicador e tem a capacidade de escutar com atenção os seus doentes. É uma pessoa com empatia e com a preocupação de informar os doentes, adequadamente, sobre o diagnóstico e tratamento da(s) doença(s) em causa, assegurando-se que os doentes entendem o que lhes foi comunicado.
Um bom médico é uma pessoa altruísta e, consequentemente, está sempre disposto a pôr as necessidades dos seus doentes em primeiro lugar.
Um bom médico tem um bom sentido de serviço (de saber servir com gosto e com vontade). Preocupa-se sempre em ajudar os outros a sentirem-se melhores e em aperfeiçoar o serviço de saúde prestado.
Acima de tudo, um bom médico tem um forte sentido de profissionalismo. Estima a sua honra e integridade, comprometendo-se a manter os valores eternos da Medicina».