22/10/12

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO

Em 2000, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), 189 chefes de Estado e de Governo, incluindo Portugal, assinaram a chamada “Declaração do Milénio”, que levou à formulação de 8 objetivos de desenvolvimento, a alcançar até 2015.
 
O Relatório mais recente de avaliação do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, publicado pela ONU em Julho passado, revela que três dos oito objetivos estabelecidos já foram cumpridos. Os objetivos atingidos foram: reduzir para metade o número de pessoas vivendo em situações de extrema pobreza; reduzir para metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável e melhorar a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de favelas. Pode obter informações detalhadas sobre os progressos alcançados aqui.



 

16/10/12

ANO EUROPEU DO ENVELHECIMENTO ATIVO

2012 foi designado pela União Europeia o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações. A noção de envelhecimento ativo refere-se à possibilidade de se envelhecer com saúde e autonomia, continuando a participar plenamente na sociedade enquanto cidadão ativo. Independentemente da idade, todos podem continuar a desempenhar um papel na sociedade e a usufruir de uma boa qualidade de vida. O desafio consiste em aproveitar da melhor forma o enorme potencial que cada um conserva até ao fim da vida.
 

04/10/12

MAQUIAVEL E OS POLÍTICOS

                        "Acaso sou um político, sou insidioso, sou um Maquiavel?"
                         William Shakespeare in As Alegres Comadres de Windsor

As brutais medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Ministro das Finanças irão certamente contribuir para a falta de esperança dos portugueses na competência do atual governo, após um período inicial de grande expectativa no rescaldo dos desmandos socráticos. A solução encontrada pelos sucessivos governos para combater o défice orçamental tem sido o aperto fiscal dos contribuintes, sobretudo de quem trabalha e paga os seus impostos, em vez de proporem medidas firmes de redução dos gastos obscenos do Estado e de combate à corrupção e evasão fiscal.
 
Há algumas semanas atrás participei como preletor num colóquio onde também interveio um conhecido político, com importantes responsabilidades parlamentares, por quem nutria alguma simpatia. Qual não foi o meu espanto quando esse reputado indivíduo defendeu despudoradamente a “proposta” do florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) no seu livro O Príncipe, de uma política sem ética e sem valores.
 
Com políticos destes, não antevejo melhores tempos.


01/10/12

QUE MÉDICOS QUEREMOS?

No sábado passado, realizou-se uma sessão de lançamento do meu livro “Que Médicos Queremos? Uma abordagem a partir de Edmund D. Pellegrino” na Universidade do Minho, integrada no 17.º Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar. A obra foi apresentada pelos Professores Daniel Serrão, Silveira de Brito e Ana Paula Coutinho, tendo a sessão sido moderada pelo Dr. João Sequeira Carlos, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
 

 
Partilho hoje alguns extratos do prefácio, da autoria do Prof. Daniel Serrão:

“Vejo este livro de Jorge Cruz  como um esforço do seu Autor para ajudar os Cidadãos  a pensarem na resposta à questão sobre qual o tipo de médico que querem ter à sua volta quando a doença lhes bater à porta.
Jorge Cruz não se apresenta sozinho a realizar esta tarefa de ajudar os Cidadãos a construírem, cada um na sua cultura e na sua inteligência, o tipo de médicos que realmente querem que exista e ao qual possam, um dia, recorrer. Escolheu um bom companheiro de jornada na pessoa do grande internista americano, Edmund Daniel Pellegrino, cuja obra científica, profissional e humanista estudou e discutiu com invulgar sagacidade noutra obra.
Jorge Cruz reconhece, a abrir a sua exposição, que sempre houve uma reflexão filosófica sobre a natureza da medicina como relação privilegiada entre duas pessoas. Sendo um diálogo interpessoal, a prática de acolher e ajudar o outro tem de ocorrer, sempre, em contexto ético. Não é um mero exercício profissional apenas técnico; é técnico, mas é, necessariamente, ético. E esta é, para Jorge Cruz, a marca indelével da medicina, que, por isso, coloca ao médico responsabilidades particulares que ele terá de saber assumir.
E assumir estas responsabilidades é, para Jorge Cruz, comportar-se como um ser humano virtuoso.
Reconhece, contudo, que não é fácil elencar as virtudes que o médico deve possuir como estruturantes da sua atividade profissional. Até porque há um hiato entre virtudes pessoais e comportamento virtuoso.
Apoiado em Pellegrino, desenvolve o conteúdo das oito virtudes mais substantivas do médico como profissional. O capítulo V, onde é apresentado este tema é, a meu ver, uma espécie de código ético ao qual os leitores médicos terão o maior benefício em recorrer quando tenham de decidir em situações mais delicadas.
E onde os Cidadãos encontrarão o fundamento para responderem à questão inicial: que médicos querem eles, cidadãos, para serem seus cuidadores quando se sentirem doentes?
A resposta está neste livro: querem os que forem portadores das oito virtudes cardeais e as usem quando decidem sobre a pessoa doente que se entrega aos seus cuidados.
 
Jorge Cruz trata, ainda, de um aspeto, complementar mas importante, como é o do ensino das virtudes nas Escolas de Medicina. Salienta as dificuldades que este ensino defronta porque, a seu ver, e bem, o melhor ensino das virtudes é o da experiência de observar comportamentos virtuosos por parte dos profissionais em ação. Mas não é pessimista quanto à possibilidade de formalizar este ensino no quadro de um ensino das humanidades.
O tema das humanidades, que comenta na parte final deste seu livro, é pretexto para forragear em Pellegrino e colher ensinamentos que transmite com assinalável clareza. Sem esquecer que, no novo ensino médico praticado na Universidade do Minho, as humanidades têm já expressão curricular, por inspiração do saudoso Professor Joaquim Pinto Machado.
Em síntese, digo que este livro de Jorge Cruz aborda um tema da maior atualidade, como é o da formação do médico para a modernidade, e o seu conteúdo não interessa apenas aos profissionais de saúde mas a quantos, e somos todos, os que  virão um dia  a recorrer aos médicos como cuidadores da doença e promotores da saúde”.

24/09/12

EUTANÁSIA: UMA FONTE DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTAÇÃO?

Um artigo publicado na revista Applied Cardiopulmonary Pathophysiology   apresenta despudoradamente os primeiros casos conhecidos de colheita de órgãos de doentes mortos por eutanásia, para serem transplantados em doentes que deles necessitam. Esta situação não ocorreu na China, que desde há vários anos utiliza órgãos para transplante provenientes de prisioneiros condenados à morte, mas sim num hospital em Lovaina, na Bélgica, em 2011, nove anos após a legalização da prática da eutanásia neste país.
 
Trata-se de um exemplo extremo e inaceitável de instrumentalização da pessoa humana, que de certa forma se assemelha a algumas práticas criminosas executadas por muitos médicos nazis. Apesar do artigo referir ter sido obtido o consentimento de todos os dadores, antes de serem eutanasiados, não demorará muito tempo até se efetuarem colheitas de órgãos de pessoas submetidas a eutanásia não voluntária (sem o consentimento livre e esclarecido do doente), que se tem verificado nos países onde a eutanásia e/ou o suicídio assistido são legais. O artigo Legalizing euthanasia or assisted suicide: the illusion of safeguardsand controls chama precisamente a atenção para a dificuldade de se regular a prática da eutanásia e/ou o suicídio assistido de acordo com os requisitos definidos por lei.

17/09/12

DIETRICH BONHÖEFFER

No meu último livro (Que Médicos Queremos?) incluo duas citações do teólogo alemão Dietrich  Bonhoeffer (1906-1945), um dos meus autores preferidos. Era um homem de fé e de caráter, que os algozes nazis condenaram à morte. Escrevendo em 1940, resume com extraordinária lucidez e premonição os perigos de uma ética deontológica separada do caráter do agente moral, conforme se verificou na Alemanha do III Reich:
 
O caminho do dever parece ser o mais seguro para se eximir à mole desorientadora das decisões possíveis. Aqui, o que foi ordenado apreende-se como o mais certo; a responsabilidade pela ordem recai sobre aquele que a profere, não sobre aquele que a executa. Mas quem se restringe à medida do dever nunca chega à ousadia da ação livre, que acontece por responsabilidade própria, a única ação que consegue atingir o mal no centro e vencê-lo. O homem do dever acabará por cumprir ainda o seu dever, mesmo diante do diabo. In BONHOEFFER, D. (2007).  Ética. Lisboa: Assírio e Alvim, p. 49.

06/09/12

SOBRE A MENTIRA

Uma afirmação verdadeira vale para sempre; as mentiras só duram um instante.
  
Provérbios 12:19
 
A lie has a short life, but truth lives on for ever.

22/08/12

SOBRE JESUS CRISTO

Jesus não é apenas um ou o melhor dos caminhos para se chegar a Deus. Ele é o único.

A. W. Tozer (1897-1963)

Jesus is not one of many ways to approach God, nor is He the best of several ways; He is the only way.

13/08/12

HÁ ALGUÉM QUE PRECISA DE SI. DÊ SANGUE!



Durante o verão é mais difícil a manutenção de reservas de sangue para corresponder às necessidades de quem dele precisa para viver. Se ainda não é dador, considere a possibilidade de doar sangue como um gesto solidário. Mas informações aqui.